Procuradorias apontaram que fabricante de artigos de luxo seria devedora contumaz
A Justiça do Rio de Janeiro instaurou processo de falência contra o Grupo Victor Hugo, fabricante de bolsas e artigos de luxo em couro, a pedido da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em conjunto com a Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ). A dívida fiscal da empresa é de cerca de R$ 1,2 bilhão. Com a decisão, foi aberto prazo de dez dias para ele se manifestar, sob pena de decretação de falência.
Desse valor, seriam quase R$ 900 milhões devidos para a União e R$ 355 milhões para o Estado do Rio. Segundo as procuradorias, a atuação da fabricante se encaixa na condição de devedor contumaz. Isso porque usaria a “inadimplência deliberada” e a “blindagem patrimonial como estratégia de negócio”.
No pedido, as procuradorias estadual e federal apontaram um esquema sofisticado de evasão de ativos. Nele, a marca “Victor Hugo” teria sido cedida a empresas offshore, sediadas em paraísos fiscais (Uruguai e Belize) e geridas por laranjas, que seriam pessoas usadas para ocultar a identidade do real beneficiário.
Também foi apontada a transferência simulada de parques industriais e fundos de comércio entre as empresas do grupo para ocultação de patrimônio. Em dezembro de 2025, por exemplo, o grupo tentou transferir ativos nacionais para uma entidade controlada por capital estrangeiro.
